Prezado 2015, replicar ”melhores práticas” não é o suficiente

O primeiro post do ano da DEEP é um recado para todos nós envolvidos no desenvolvimento de ecossistemas de empreendedorismo no Brasil: pare de somente emular melhores práticas!

2014 foi um ano de muitos programas para fomento de ecossistemas de empreendedorismo – alguns deram certo, outros nem tanto -, mas o que mais marcou foram as críticas a tais programas. O texto de hoje foi cedido para nós pelo Jeremy Hegle, diretor da U.S.SourceLink e responsável pela construção de diversos ecossistemas nos EUA, quando contamos a ele sobre a necessidade do Brasil de entender um pouco melhor como desenvolver ecossistemas de empreendedorismo, seja por programas públicos ou privados. Então vamos ao texto por ele cedido (tradução nossa):

“No início de outubro, participei de um programa de três dias na Babson College liderado pelo ilustre Dr. Dan Isenberg, professor de empreendedorismo e diretor executivo/fundador do Babson Entrepreneurship Ecosystem Project.

Como você pode imaginar, os materiais do programa e facilitadores foram fantásticos; ademais, a qualidade do programa foi realmente melhorada pelas conversas com outros participantes. Na sala, estavam grandes cabeças em empreendedorismo da Europa, América do Norte, América do Sul, África e Oriente Médio – foi uma oportunidade rara e épica para compartilhar perspectivas enquanto revisávamos estudos de caso de ecossistemas do mundo inteiro.

Entre as muitas epifanias que eu trouxe para casa comigo para levar à U.S.SourceLink (felizmente epifanias não ocupam muito espaço na bagagem), aqui tenho uma que realmente ressoou com os desafios que todos enfrentamos no fomento de ecossistemas de empreendedorismo: boas práticas não podem ser replicadas.

Deixe-me explicar.

Muitos de nós buscamos as melhores práticas para ver o que novas soluções podem trazer para a nossa comunidade. O problema com o ‘olhar para melhores práticas’ é que muitas vezes confundimos seus gloriosos êxitos com o processo pelos quais eles foram formados.

Isso pode levar a uma falácia ao buscar as ‘melhores práticas’: você pode ser levado a acreditar que, se você correr atrás do êxito das melhores práticas, você terá o mesmo resultado.

Nós ‘compramos’ o resultado. Queremos o resultado, quando o que devemos realmente fazer é dedicar-nos ao processo. Isso não quer dizer que não devemos olhar para as melhores práticas. Em vez disso, temos de ser extremamente cuidadosos ao fazê-lo. Temos de nos concentrar mais no processo que leva à criação do resultado: em vez de ‘o que saiu disso?’, temos de nos concentrar em ‘como é que eles fizeram isso?’.

Na minha experiência com o U.S.SourceLink, gestores de comunidades estão constantemente animados para implementar ‘algo’ que vai ajudar a melhorar o empreendedorismo e estão constatemente clamando por ‘coisas’. No entanto, os seus desafios nem sempre são problemas de ‘hardware‘ (mais incubadoras/aceleradoras! mais mentores! mais financiamento!), mas problemas de ‘software‘ – relacionamentos e colaboração.

Pense no seu ecossistema de empreendedorismo como um hospital para negócios nascentes e essa necessidade de uma comunicação forte e coordenação torna-se óbvia. Imagine o resultado se todos os departamentos dentro do hospital funcionassem de forma isolada: cirurgia não sabendo quando a sala de emergência envia seus pacientes; os pacientes surgindo nos pós-operatório antes dos quartos estarem preparados; ou o restaurante não-tão-gourmet entregando serviço de quarto em salas vazias. Seria uma bagunça. Você esperaria a adição de mais enfermeiros ou equipamentos sofisticados para corrigir esses problemas?

É necessário começar com uma base forte, rica em pessoas e processos. Com forte comunicação dentro do ‘ecossistema de tratamento’ e com uma compreensão sobre a quem seu hospital serve, o que faz bem e onde precisa melhorar. Uma vez que essas pessoas e processos estão no lugar, então você pode começar a adicionar extravagâncias e ver os resultados.

Ecossistemas de empreendedorismo funcionam da mesma maneira. Você não pode jogar um programa em um campo misterioso. Conhecer seus empreendedores, conhecer seus ativos, conhecer os programas que já existem e do que precisam – tudo isso lhe permite construir os melhores processos que ajudarão as melhores práticas se adaptar e prosperar.”

Esperamos que tenham gostado da contribuição, agradecemos ao Jeremy pela permissão do uso do texto e a todos que têm divulgado o material que estamos produzindo nessa nova plataforma de conteúdos. A nossa missão aqui é desenvolver ecossistemas por meio desses conteúdos, esperamos estar colaborando assim com a melhoria do nosso país. Um ótimo 2015 a todos!

fonte da imagem: HD4 Desktop

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