7 aspectos nos quais o SEED contribuiu para a revolução do empreendedorismo mineiro

Como a maioria bem sabe, esforços – especialmente de iniciativas públicas – para fomento de ecossistemas de empreendedorismo e inovação são sempre pautados em resultados de longo prazo. Porém, recentemente o programa SEED-MG, iniciativa concretizada pela parceria da Wylinka com o Governo de Minas Gerais, tem sido agraciado com bons resultados no curto prazo. Um deles foi uma startup acelerada, a Planedia, como finalista do Lisbon Challenge saindo na Pequenas Empresas Grandes Negócios como um caso de sucesso internacional. Além desse, o programa já conta com destaque em alguns relatórios e premiações, como o recém lançado relatório sobre aceleradoras da américa latina e a premiação do Spark Awards (entregue no evento CASE), que colocou o SEED entre os três melhores programas de aceleração do país. Se você ainda não sabe o que é o SEED, aprofunde-se aqui.

2nd batch

Os indicadores ainda são recentes e superficiais para uma análise mais detalhada, podendo ser feito um trabalho melhor elaborado sobre o impacto somente a longo prazo. Alguns erros e acertos foram cometidos pelo programa, mas a busca por melhoria nas duas últimas rodadas foi constante, mas o intuito desse post não é falar sobre os resultados – seria inclusive enviesado demais a entidade gestora se posicionar nesse aspecto. A proposta é apresentar aqui alguns princípios que nortearam muito do SEED nas últimas rodadas, e que esperamos que norteie muitas outras futuras. Apresentamos, assim, alguns dos principais elementos para se construir uma revolução empreendedora, segundo o ex-professor de Harvard Daniel Isenberg, e como os mesmos se alinharam em muitas estratégias da Wylinka para o programa.

1. Pare de emular o Vale do Silício
Já faz um bom tempo no Brasil que é moda querer imitar o Vale do Silício. O problema? Querer emular as atividades do tempo presente sem dar atenção ao passado do ecossistema, e como já falamos em outro post: emular boas práticas não é o suficiente. É preciso conhecer as razões históricas do surgimento do Vale para tentar replicar algumas bases que possam vir a ser interessantes,  mas faz-se importante compreender que existem algumas questões únicas e não replicáveis, bem como existem outros ótimos ecossistemas de empreendedorismo a se observar com bons olhos (olhamos muito para Israel, Canadá, Boulder, Reino Unido e alguns outros não tão famosos assim). Quer conhecer um pouco mais da história do Vale do Silício? Então leia esse estudo: Wylinka – How did silicon valley become silicon valley

2. Reformar questões regulatórias e burocráticas
Talvez um dos grandes feitos do programa como um todo foi o esforço realizado pelo Governo de Minas Gerais para a criação de mecanismos legais que permitissem o direcionamento do orçamento estatal para as mãos de empreendedores de maneira direta. Essa inovação do campo jurídico permitiu que o programa ocorresse fornecendo o auxílio financeiro necessário para a aceleração dos empreendedores, e garantiu a plena execução de todas as atividades e contratações. O esforço no campo legal muitas vezes é visto como impossível, mas a existência de gestores públicos competentes e dedicados a esse tipo de causa é um grande ganho para qualquer ecossistema.

3. Engajar o setor privado desde o começo
Citando o professor Isenberg: “Governos não conseguem construir ecossistemas sozinhos. Apenas o setor privado tem motivação e perspectiva para desenvolver mercados sustentáveis e lucrativos.” Essa colocação aponta para a necessidade de envolver outras empresas e perspectivas privadas para a construção do ecossistema, aumentando as conexões e o diálogo, se fundamentando sempre na crença de que, a longo prazo, o ecossistema – com suas conexões e velocidade construída – caminhe pelas próprias pernas.

4. Moldar o ecossistema olhando para condições locais
Cada ambiente tem suas características locais – potencialidades, limitações e questões operacionais relativas à região. Há muito sendo feito em ecossistemas de empreendedorismo que nada têm relação com o ambiente local. Na Wylinka, temos construído diversos materiais de análise do ecossistema local para que estratégias de desenvolvimento sejam pautadas em uma percepção profunda das condições locais. É necessário cuidado para não se construir elefantes brancos. Um caso de sucesso emblemático é o de Ruanda e o ecossistema em torno da produção e exportação de café.

5. Focar em empresas de grande potencial
O conceito de se concentrar em empresas com grande potencial de escala já é comum para o ambiente de startups do qual o SEED faz parte, portanto esse é um ponto fácil de compreender. Grande escala significa, na maioria dos casos, grande geração de empregos, renda, impostos, valor agregado e circulação financeira, e isso se faz importante para o desenvolvimento de ecossistemas de uma maneira geral. Selecionar as empresas analisando seu potencial de escalabilidade e tamanho de mercado sempre foi um critério muito relevante no programa. As consequências têm surgido já com outras empresas influenciadas pelo crescimento notável de algumas e pela transferência de conhecimento que acaba surgindo nesse processo.

6. Mirar em mudanças culturais
Saber catalisar as externalidades das políticas públicas é algo fundamental a se fazer. Uma das grandes características do programa eram as atividades que as startups aceleradas precisavam realizar para fins de educação e influência cultural no estado: atividades em escolas públicas; disseminação de conteúdos e aprendizados em universidades; palestras na região etc. Tais atividades ajudaram a disseminar o tema empreendedorismo e inovação de modo a sensibilizar o Estado em relação ao tema e esperamos que a longo prazo muitos frutos surjam de tal esforço voltado para a mudança cultural da região. Esse impacto também foi abordado nesse rico relatório sobre o Programa Startup Chile.

Há muito ainda o que ser falado sobre o SEED, e esperamos que muito ainda venha para termos sobre o que falar. Muito pode ser melhorado e muito pode ser ensinado, e encerramos esse post com a esperança de que o conteúdo aqui tenha sido útil para muitas pessoas que planejam desenvolver seus ecossistemas.

Quer ir mais fundo no conteúdo? Então confira o artigo completo do professor Isenberg para a Harvard Business Review: Wylinka – Daniel Isenberg – Entrepreneurial Revolution, 2010

One thought on “7 aspectos nos quais o SEED contribuiu para a revolução do empreendedorismo mineiro”

  1. Wagner Bonfiglio says:

    Vocês tocaram em um ponto que eu discuto bastante: não podemos tentar imitar o Vale do Silício. O capital humano é outro, a cultura é outra, o nível de amadurecimento tanto do ecossistema como do mercado que eles atacam é outro…

    Devemos sim entender o que acontece lá e nos inspirar com as práticas que tem funcionado por lá, mas o resultado só vai aparecer para quem souber adaptar o que aprendeu para a nossa realidade.

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